General Ramey mostrando à imprensa os restos de um balão. Em sua mão a mensagem misteriosa.

 

O Departamento de Fotografia da Universidade do Texas pediu que a fotografia na qual o general Ramey aparecia segurando um papel fosse levemente descolorida, para que assim as escritas podessem ser lidas claramente. Em 1991, Don Schmitt enviou uma cópia dessa foto para o doutor Richard Haines, ex-cientista da NASA, perguntando-lhe se poderia fazer algo a respeito. Utilizando um microscópio, Haines escaneou a mensagem do papel e disse que conseguiu ler algumas vagas palavras, mas que não pôde identificar todas as letras. Ele achou que uma fotografia de melhor qualidade ou uma ampliação da área onde eram mostradas as palavras poderiam revelar mais informações.

Essa investigação ficou parada até 1998, quando J. Bond Johnson, a pessoa que tinha tirado seis das setes fotografias de Ramey, decidiu ir fundo nas averiguações. Johnson organizou um grupo para analisar as fotos, denominado Grupo para Interpretação da Foto de Roswell. Um dos membros era Ron Regehr, um engenheiro espacial de satélites. Utilizando uma enorme ampliação da foto, um computador e uma variedade de softwares e equipamentos de câmera, o grupo conseguiu descobrir mais sobre a mensagem. Ou melhor, eles afirmavam que podiam ler aquilo quase que inteiramente. No canto superior esquerdo da foto, observaram o que parecia ser o símbolo de um telefone e concluíram que Ramey estava segurando uma mensagem telefônica. Eles então afirmaram ter descoberto uma grande quantidade de palavras na mensagem. Estavam, naturalmente, pasmados com o que podiam ler, e perceberam que a mensagem tinha sido escrita com letras maiúsculas. Sua interpretação pôde ser traduzida assim:

“Como o… 4 horas as vítimas do… Em Fort Worth, Tex… A estória da queda… Para 0984 conhecimentos… Forças de emergência são necessárias no local dois sudoeste de Magdalena NMEX …Pode falar sobre a estória e a missão… Balões meteorológicos enviados para… E desceram sobre tripulação… Temple”.

Se o que o grupo descobriu está correto − e outros pesquisadores puderem confirmar posteriormente −, então isso é uma grande novidade no Caso Roswell. Temos aqui um documento indiscutível. As cópias da fotografia foram colocadas num transmissor de fotos via telefone, o INP soundphoto, fornecendo a data de sua captação. Uma delas veio dos Arquivos de Fotos de Bettmann, Nova York. Acreditava-se que Johnson tenha tirado a fotografia no dia 08 de julho de 1947 e que a mesma foi transmitida às 23:59 h, ou um minuto antes da meia-noite. Havia brechas entre as palavras e algumas frases faziam pouco ou nenhum sentido no contexto do resto da mensagem. Entretanto, a referência às vítimas, aos balões de meteorologia e à cidade de Magdalena, Novo México, eram provas muito importantes. Essas palavras pareciam ligar a mensagem aos eventos ocorridos em Roswell, e sugerem que algum tipo de resposta rápida foi solicitada aos militares pelo Comando da 8º Comando da Força Aérea, em Fort Worth, ou pelo 509º Grupamento de Bombardeio de Roswell.

Outros pesquisadores enviaram cópias das fotos para a Divisão de Fotografias, no Texas. Nelas puderam ver letras, palavras inteiras e imagens. O problema é que nem todos estavam enxergando a mesma coisa que Johnson. Por exemplo, o símbolo de um telefone que o grupo de Johnson tinha afirmado parecia mais com uma mancha cinza do que com qualquer outra coisa. Neil Morris, um técnico que trabalhava para a Universidade de Manchester, na Inglaterra, juntamente com uma parte do grupo de Johnson começou a trabalhar na análise da foto. Suas interpretações para os símbolos não foram exatamente iguais às realizadas pelos membros do grupo de Johnson. Eles realizaram algo benéfico para todos os pesquisadores: dividiram a mensagem, linha por linha, tornando muito mais fácil sua interpretação. Utilizaram letras maiúsculas para indicar as partes da mensagem que tinham certeza de estarem corretas: letras minúsculas se tivessem quase certeza da letra, asterisco para indicar uma letra que não conseguiram decifrar e um traço, quando achavam que era somente uma mancha.

A interpretação de Morris ficou assim:

“(1)—————-***TARES FORAM————COMO

(2)—————fxs 4 ser I VÍTIMAS DO ACI dente e ****

(3)————–*** EM FORT WORTH, TEXAS.

(4)——-***S**smi ths COISA* ***** unus-d**e T&E A3ea96L *****

(5)——–ENTÃO ugh ACIDENTE s pOw*** *** N***** LOCAL UM É  remoTAmente****

(6)——–***D* bAsE DiSSe ***a* para nós ** PELA ESTÓRIA são 8

(7)——-mente tentar mesmo COLOCAR OS BALÕES METEOROLÓGICOS n*d** foram

(8)———-**** **la** I***denver****

(9)

(10)TEMPLE”

Esta mensagem não é exatamente igual à que Johnson tinha divulgado, mas, de fato, era bem diferente em alguns aspectos. Na nova versão, enquanto a palavra “vítimas” continuava aparecendo, assim como “Fort Worth”, quase todo o resto era distinto. Um dos pontos altos era a frase: “Forças de emergência são necessárias no local 2, sudoeste de Magdalena, NMEX”. Isso indica que aqueles que a interpretaram podem ter visto o que queriam ver. John Kirby, um ufólogo interessado no Caso Roswell que trabalha para uma grande empresa de computação, também fez sua análise. No entanto, mesmo usando sua habilidade e equipamentos adequados, não foi capaz de ver muito mais do que já vinha sendo apresentado. Entretanto, Kirby concordava que a terceira linha continha as palavras “Em Fort Worth, Texas”. A segunda, por sua vez, dizia: “são os demais materiais que você mandou que enviássemos”. Se a palavra “victms” (vítimas) for mudada para “remains” (permanecer ou sobrar), a natureza de toda a mensagem é alterada. “Vítimas” quer dizer que alguém morreu num acidente, mas “permanecer ou sobrar” pode se referir a qualquer coisa, inclusive restos de um balão meteorológico, também visível na fotografia que Ramey segurava.

Numa versão diferente, David Rudiak acrescentou muito pouco às outras interpretações. Utilizando a mesma mistura de letras maiúsculas e minúsculas para o que tinha certeza do significado e para o que tinha dúvidas, ele chegou a seguinte mensagem:

(1)——————–oficial

(2)—-4 de julho VitIMAS do aciDENTE você eNcaMINHA para O

(3)——-FORT WORTH, TEX.

(4) 5 pM O “DISCO” eles vão enviar PARA A3 8º CHEGOU

(5)—-ou 58º esquadrão de bombardeio escritório do assistente? Em ROSwell COMO para

(6)—54º DISSE Erro da estória e disse

(7) novas fora é DOS BALÕES METEOROLÓGICOS que foram

(8)—acrescente aterrissagem d——–tripulação

(9)

(10) rAMEY”

Essas não foram as únicas alternativas de interpretações oferecidas. O estudioso Russ Estes, utilizando uma impressão de 16 x 20 feita pela Biblioteca da Universidade do Texas, realizou suas pesquisas. Utilizou para tanto uma câmera profissional de 50 mil dólares, com lentes de 7 mil para capturar a imagem. Então, valendo-se de um computador de última geração e vários programas, analisou a imagem de todas as fotos das mais diversas formas possíveis, inclusive mediante o emprego de lentes de joalheiro, de aumento e microscópio. Estes também escaneou a foto em 9.000 dpi, para criar um arquivo que tinha 1,7 gigabits de tamanho e que pudesse ser manipulado. Mas mesmo afirmou que não podia ver nada de novo. Pressionado até certo ponto, já que outros tinham encontrado alguma coisa, Estes disse que podia dar somente um palpite sobre as imagens. Aumentando em 8 x 10 a área de impressão da mensagem e utilizando os mesmos equipamentos e técnicas anteriores, pôde ver as palavras “Fort Work, Tex”. Na linha logo abaixo, na qual um grupo observou a palavra “disco” e outro “coisa”, Estes disse ter decifrado “Ela”. No entanto, para ele isso não fazia o menor sentido.

Na parte da assinatura, não viu nada que os outros tinham afirmado. Na melhor das hipóteses, pode haver um M no meio da palavra e possivelmente um L no final. Isso levou a “Temple”, mas para Estes isso era apenas uma suposição. Todavia, esse não foi o ponto final da estória. Schmitt, juntamente com Tom Carey e Don Burleson, tiveram suas próprias interpretações – pelo menos na versão de Burleson. Schmitt escreveu no dia 07 de janeiro de 2000 para a revista Vision: “Várias tentativas foram feitas para ler a mensagem do general Ramey. E, francamente, a maioria das tentativas foram amadoras. Mesmo que alguns ufólogos tenham afirmado que não exista nada na mensagem de Ramey que possa ajudar no Caso Roswell, eu afirmo que eles estão errados!”

Burleson escreveu também que tinha passado um ano trabalhando para decifrar a carta. Ele tinha a vantagem de ser o diretor de um laboratório de computação e possuir o suporte de criptanalistas. Entretanto, o problema que afetava tanto Burleson quanto os outros investigadores é que essa não era uma mensagem criptografada e sim algo escrito num simples papel. Burleson utilizou ainda vários softwares de alta qualidade e decifrou dessa maneira a mensagem:         

“Recuperação do disco de Roswell 074MJ- nas vítimas dos destroços você enviou para o grupo de Fort Worth, Tex. O disco deve ser mandado para Los Alamos urgente. Reforços são necessários no local dois em Carlsbad, NMEX. Permitido falar para os jornais a estória e somente mostrar os balões meteorológicos e a tripulação de L-Denver. Temple”.

Na tentativa de manter a forma criada por Morris, fez-se uma distribuição linha por linha da mensagem de Burleson. Isso não era necessariamente o modo como ele teria tentado decifrar o enigma, mas era útil para comparar com as outras interpretações:

“(1) Recuperação do disco de Roswell 074MJ

(2) nas vítimas dos destroços você enviou para

(3) o grupo de Fort Worth, Tex

(4) O disco deve ser mandado para Los Alamos urgente

(5) Reforços são necessários no local dois em Carlsbad, NMEX

(6) Permitido falar para os jornais a estória

(7) e somente mostrar os balões meteorológicos

(8) e a tripulação de L-Denver

(9)

(10) TEMPLE”

O que tem levantado a um conflito entre os decifradores da mensagem do general Ramey é tão somente as palavras “vítimas” e “permanecer ou sobrar”. Os pesquisadores que dizem que a palavra “vítima” é um termo crítico estão corretos. Entretanto, se a palavra é na verdade “permanecer ou sobrar”, então o tom da mensagem muda radicalmente, e de repente essa descoberta pode não significar o que alguns ufólogos vinham afirmando. Pode ser uma mensagem indicando simplesmente que um balão meteorológico foi encontrado em algum lugar. Entretanto, surge a pergunta: será que os pesquisadores estão vendo aquela palavra porque foram influenciados por outros, que da mesma forma que eles tentaram decifrar a mensagem? Um pequeno e informal experimento foi conduzido na tentativa de responder a essa questão. A fotografia que continha a mensagem foi mostrada para poucos pesquisadores, experts e cientistas. Nada lhes foi dito sobre o seu conteúdo ou sobre as circunstâncias pelas quais ela foi tirada. Em outras palavras, eles receberam a fotografia sem saber nada a respeito.

Desses novos decifradores, somente um afirmou que tinha visto a palavra “vítimas”. Uns não tinham certeza, enquanto outros dois investigadores viram “permanecer ou sobrar”. O resto da mensagem era uma mistura do que os ufólogos haviam afirmado. Essa é uma tentativa de ler letras e palavras que podem ser mais do que simples manchas num pedaço de papel. A mensagem foi lida à luz da interpretação da pessoa que estava investigando-a e baseado em sua crença particular. Nenhum dos vários grupos que tentaram decifrar a mensagem conseguiram realizá-lo com total certeza. Todos os grupos e investigadores colocaram seus pontos de maneira reservada. Isso pode ser até um estudo interessante, mas ainda não acrescentou nada de útil ao Caso Roswell.

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