Eu queria fazer um filme chamado ‘Night Skies’ (Céu Noturno) onde alienígenas aterrorizavam uma família, mas fui obrigado a alterar o conceito do filme por completo e fazer um extraterrestre dócil que fica amigo de uma criança”
– Steven Spielberg

Quando assisti ao filme ET, o Extraterrestre, fiquei maravilhado na cena onde ele consegue fazer as bicicletas voarem sobre os carros. O cartaz com esse voo e a lua ao fundo retratou muito bem essa minha memória.

Isso foi em 1982, ou seja, eu tinha 8 anos de idade. Quando fui a Disney, já com 33 anos, fiz questão de ir na atração do “E.T” para experimentar aquela sensação de voar como o Elliot, personagem principal do filme.

A medida que eu ia crescendo crescia comigo meu interesse sobre ufologia. As perguntas sobre o fenômeno aumentavam a cada dia. Será que estávamos mesmo sendo visitados por seres extraterrestres? De onde eles vinham? Por que estavam aqui? Eram apenas algumas delas. Mas ao assistir ao filme “E.T” um enorme ponto de interrogação permeou a minha imaginação: o filme teria sido baseado em fatos reais? Seria o filme uma tentativa de ver a reação da sociedade perante um alienígena bonzinho? Mas como eu poderia saber isso? Só se falasse com o diretor do filme, Steven Spielberg.

Em uma viagem de férias ao Rio de Janeiro, fomos apresentar a Cidade Maravilhosa a duas amigas norte-americanas de minha esposa que vieram passar alguns dias conosco. Elas já sabiam do meu interesse sobre ufologia, pois comprei vários livros pela Internet e mandei entregar em sua casa para que elas trouxessem para mim e assim evitar um frete caríssimo.

Num papo sobre ufologia que foi parar no filme E.T, uma delas, Izelda, me disse que era muito amiga de uma prima do Spielberg e que já tinha inclusive encontrado com ele na casa dessa amiga. Eu comentei que era fã dele, principalmente pelo filme E.T. Disse que ele era o diretor de Hollywood que mais produz e dirige longas e series sobre o fenômeno ufológico. Só para se ter uma idéia, ele E.T, Inteligencia Artificial, Guerra dos Mundos e da série Taken.

“Thiago, imagine se você pudesse conhece-lo? ”, me disse Izelda.

Pouco tempo depois ela pegou o telefone e ligou para alguém. Era sua amiga dos EUA, aquela prima do Steven Spielberg.

Thiago, hoje vamos jantar no Copacabana Palace”, me disse.

“Sua amiga está aqui no Brasil? ”, perguntei.

“Sim, junto com o primo mais famoso dela”.

Fiquei paralisado.

“Como assim? Ele está no Brasil? ”

“Está. Ele veio passar alguns dias e ver algumas locações para um filme. Eu já sabia que você gostava de ufologia só pelo o que você pediu para a gente trazer lá dos EUA. Eu sabia que minha amiga estaria aqui com ele. Queria te fazer uma surpresa, fazer você encontrar com ele sem saber, mas não resisti”.

Por volta das 20h saímos da Barra para Copacabana. No carro eu já imaginava o que falaria com ele.

Em termos de transito no Rio até que chegamos rápido a Copacabana. Quando entramos no restaurante Izelda logo avistou sua amiga. E lá estava ele, sentado ao lado dela, com um boné do New York Yankees. Fomos apresentados aos dois, ambos muito simpáticos.

Eu me surpreendi como que uma pessoa tão famosa não estava sendo tietada. Vai ver por estar mais por trás das câmeras do que como ator principal. Mas era o Steven Spielberg!

Ao ser apresentado ele foi muito cordial. Tentou um português: “Todo bom?”.

Respondi que sim, que era grande fã do seu trabalho, principalmente dos filmes do Indiana Jones, E.T e da série Taken, além de Band of Brothers. Ele me agradeceu e disse que gostava muito de ufologia. Nosso papo foi muito geral, falamos sobre casos famosos e ele mostrou-se grande conhecedor de casos brasileiros, como o de Antônio Villas-Boas, que ele disse um dia querer transformar em filme.

Já estava ficando tarde da noite quando ele disse que queria dormir, pois havia andado pela cidade o dia todo à procura de locações. Ao se despedir de mim, eu com uma cara de frustrado, ele me perguntou: “Thiago, que tal conversarmos de novo amanhã? Eu acho que tenho algumas coisas para te contar que você não sabe”. Não precisei responder. Um sorriso foi o suficiente.

Acordei muito empolgado. Meu filho querendo ir para a praia, mas eu tinha outros planos. Despachei esposa, filho e babá para curtir o dia de sol e peguei um táxi para Copacabana.

Ao chegar a recepção do hotel Copacabana Palace já tinha a autorização para que eu pudesse subir até a suíte onde Spielberg estava hospedado. E foi o próprio que abriu a porta para mim. Vestindo uma camisa branca e bermuda jeans, ele parecia bem à vontade. Confesso que pensei, “putz, esse cara vai dar em cima de mim”. Lá do quarto veio sua esposa que me cumprimentou e foi para a sala ver T.V. Nós fomos para uma antessala que havia na suíte.

“Thiago, antes de fazer o filme ET, eu já gostava muito do assunto, mas não tinha fundos e interessados em investir em algo que era tratado como maluquice. Eu tinha feito sucesso com o filme Tubarão, mas ainda estava me consolidando em Hollywood. Mas tudo mudou quando recebi a visita de alguns ‘investidores”.

Quando ele disse “investidores” fez aquele gesto de aspas, sabia que ele estava sendo irônico, no mínimo.

“Esses ‘investidores’ eram pessoas do governo dos EUA. Eles queriam saber se eu estaria interessado em produzir um filme sobre alienígenas. Eu perguntei se seria um filme catástrofe onde os alienígenas invadiriam e destruiriam o mundo. Eles responderam que não, que eles queriam um filme onde os alienígenas passassem uma imagem bondosa. Eu estava suspeitando muito daquilo tudo. Qual a razão para eles me ofereceram algo assim? ”.

 Steven, existem teorias da conspiração que dizem que o governo dos EUA financiou vários filmes sobre alienígenas para ver a reação das pessoas ante um possível contato”, disse a ele.

“Era exatamente para isso, Thiago. Esse era o objetivo. Eles estavam me pedindo para dirigir o filme para mostrar ao público que um contato alienígena não precisa ser uma guerra. Questionei porque eu tinha sido o escolhido para tal trabalho. E se eu contasse a todos sobre aquela visita e proposta? A resposta de um dos homens foi um leve sorriso e a seguinte resposta: você não gostaria de fazer isso”.

Será que o Steven Spielberg esteve frente a frente com os Homens de Preto, mas não para ameaça-lo, mas sim para contrata-lo?

“Eu topei fazer o filme. Eu teria 10 meses para finaliza-lo e quanto de recurso eu quisesse. Mas o principal, o roteiro, eu não tinha. Imagine analisar ou escrever um roteiro e produzir um filme em 10 meses. Isso seria impossível”.

Steven sentou-se numa cadeira e continuou, “eles me disseram que o roteiro estava pronto, que os atores já estavam escolhidos, assim como as locações. Mas como? A resposta deles foi enigmática: “você vai dirigir o filme, o resto é conosco. Você receberá um roteiro baseado em um caso verdadeiro. Este caso ocorreu em 1957 em Denton, no estado do Colorado.

“Eu recebi um arquivo com mais de 30 páginas, mais de 20 fotos e um rolo de filme. Thiago, eles tinham a foto do alienígena e tinham fotos do OVNI! Eles tinham filmagens de tudo isso! Eu perguntei se podia mudar alguma coisa. Eles me responderam que não, que eles queriam tudo como estava no relatório, inclusive a aparência do alienígena e do UFO”.

 Sim, mas há rumores de que você queria fazer um filme chamado “Night Skies”(Céu Noturno) onde os alienígenas que aterrorizavam uma família. Mas ele resolveu alterar o conceito do filme por completo e fazer um extraterrestre dócil que fica amigo de uma criança.

 Eu estava achando aquilo tudo muito surreal. Na minha frente estava ninguém menos do Steven Spielberg no hotel Copacabana Palace, ouvindo ele me contar a verdadeira história sobre o filme E.T, O Extraterrestre. Ele teria que fazer um filme em 10 meses sobre o caso real! Ele tinha visto fotos e um filme do alienígena e do objeto! Como isso é possível?

“Mas Steven, e as verdadeiras pessoas que foram testemunhas do contato, da história toda, porque foi algo muito grande”, perguntei.

“Thiago, eu nunca, nunca perguntei isso. Preferi não saber. Anos depois ouvi rumores de que essas pessoas tinham sido compradas, promovidas, transferidas ou ‘sumidas’. O caso na época não causou muito alarde porque os militares fizeram de tudo para acobertar o evento; e conseguiram”.

“Mas o filme se passava na década de 80 na cidade de  a época era década de 80 e na cidade de tal”

“Exato! Só isso não era a mesma coisa do caso original. Imagine se eles colocam tudo como foi e um ufólogo tem a brilhante ideia de investigar o filme e descobre tudo. Imagine o barulho que isso faria. Thiago, nem os nomes das pessoas foram trocados! Só mudamos a cidade e a data”.

Isso era muito arriscado. Mas qual foi o resultado?

“O filme foi um sucesso. Até hoje tem uma atração na Disney World sobre o filme. Será mera coincidência? Anos depois, quando eu já filmava a trilogia do Indiana, recebi no set de filmagem quatro senhores que foram me parabenizar. Eles simplesmente apertaram a minha mão e disseram “seu filme atingiu o objetivo. Agora sabemos como proceder”

Eu indaguei: “Senhores, o filme ainda não está pronto, não foi nem divulgado, acho um pouco precipitado afirmar isso”.

“Não estamos falando de seu novo filme”. Se viraram e foram embora.

“Meu caro, eu tenho muita coisa a falar. Você sabe que eu já fiz outros filmes e séries ligadas a ufologia. É um assunto que eu gosto e acredito piamente que somos visitados por seres extraterrestres. E isso não veio depois de ET. Infelizmente ainda não posso contar tudo, mas você vai saber um dia. Bom, agora eu tenho que ir. Meu avisos aí daqui a algumas horas e tenho que arrumar tudo aqui. Agradeço muito o seu interesse e espero que você e os demais ufólogos alcancem seus objetivos.”

Levante-me, apertei sua mão e agradeci pela conversa. Ainda ganhei um boné autografado!

Quando cheguei a porta perguntei: “Steven, onde eu poderia procurar o caso do filme? Onde está o filme e as fotos? Por onde posso começar?”

“Thiago, basta você ver o filme. O filme é o caso da maneira como tudo aconteceu. Onde estão os originais? Nunca soube”.

Depois de tanta coisa só uma coisa me restava fazer, dar um mergulho naquele mar maravilhoso da Cidade Maravilhosa.

Esse texto é uma ficção, baseada em eventos reais. Qualquer coincidência com fatos verdadeiros poderá não ser mera coincidência.